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 Contos Gélidos IV

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Andrus de Kraken
General Marina
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Data de inscrição : 11/09/2015

MensagemAssunto: Contos Gélidos IV   Seg Fev 15, 2016 9:41 pm

Contos Gélidos IV

Inverno Perene.

Helicóptero do Perennial Winter, céu da Sibéria.

Os quatro garotos ouviram atentamente o relato de Volker Hollstein, assim que o velho conseguiu se acalmar. O grupo formado pelos cinco estava ocupando as poltronas do helicóptero, os garotos de frente para o velho enquanto ele falava. Jibrille, a garota de cabelos verdes sentara-se na poltrona logo à frente de Hollstein de forma comportada, com os joelhos juntos e a postura ereta, e apoiara aquele artefato circular, o tal Espelho de Tezcatlipoca em seu colo. Kaminashi, o garoto de cabelos ruivos se jogara em uma poltrona ao lado de Jibrille, colocando as pernas apoiadas na parede e recostando-se ao braço da poltrona, virado em três quartos de perfil para o velho. Kamino, o louro de sorriso cínico, ocupara a poltrona vaga do outro lado de Jibrille, apoiando o cotovelo esquerdo no braço da poltrona e apoiando o rosto no punho fechado, enquanto cruzava as pernas, apoiando o calcanhar direito no joelho esquerdo. Hikarideari, o rapaz moreno, fora para trás das três poltronas de frente para o velho e apoiara os braços cruzados sobre a poltrona de Jibrille, se curvando para frente, com um dos joelhos arqueado e apoiado no estribo do assento da garota.

Ali no helicóptero, o Dr. Hollstein contou tudo o que sabia: Sobre o evento, sobre as amostras de sangue, sobre como Leila tinha feito os soldados sumirem e aparecido diante dele coberta de sangue, enfim tudo o que podia informar sobre o ocorrido. Por fim, concluiu:

- Eu não sei como um fenômeno congelante como aquele ocorreu. Mas a única coisa da qual tenho certeza é que aquela garota está envolvida de alguma forma. Ela estava no centro do evento e deve tê-lo desencadeado de alguma forma. E eu suponho que... - Ele fez uma pausa para tomar coragem. - Que vocês tenham a resposta.

- Talvez. - Respondeu Kamino sorrindo. - Mas por que contaríamos a você?

- Faremos um trato. Eu digo onde a garota está e o quanto minhas pesquisas avançaram e vocês me dizem como ela fez o que fez e me entregam a moça quando terminarem com ela. - O cientista falou de forma mais obstinada que gostaria.

- E por que você quer saber? E por que você quer a moça? - Kaminashi se manifestou, mas ainda de perfil para o velho.

- Quero estudá-la! E entender como é cientificamente possível aquele evento, mesmo que ninguém mais acredite em mim. Quero saber como ela é capaz de causar alterações tão bruscas no meio, isto é, como vocês são capazes de fazê-lo.

- Ele é um cientista, pode ser útil para estudarmos as Graças no futuro. Além do mais, só precisamos da Graça dela, não da garota. - Jibrille disse despreocupadamente e Hikarideari a apoiou. - Temos poucos profissionais na área de estudo. Seria útil termos mais um.

Com a concordância de todos, Kaminashi suspirou e disse:

- Ok, então a gente te conta.

Volker Hollstein se curvou para frente para ouvir. E Jibrille começou o relato.

- Como você deve ter percebido, nós temos alguns artefatos conosco. Estes artefatos são chamados de "Graças". Eles são itens que comprovam a suposta existência de divindades. Eles são capazes de interagir com a origem da vida e da matéria do universo e destruí-la ou modificá-la. As Graças usam parte da energia que circula em nossos corpos para gerar estes efeitos. E eu me refiro a uma combinação de corrente elétrico-nervosa, trifosfato de adenosina e adrenalina, além é claro, da já conhecida energia espiritual.

Temos razões para supor que existam diversas destas Graças pelo mundo. Nós, da Perennial Winter começamos como um grupo que pesquisava sítios arqueológicos e ruínas atrás de artefatos raros. O fundador um dia, porém, ficou preso em um sítio e encontrou uma Graça em um altar no interior do local. E graças a este item, alcançou a liberdade. Então, decidiram investir na busca de mais destes itens e nós nascemos. A Perennial Winter então dedicou seus esforços a encontrar mais destes artefatos, ou seja, as Graças e esta têm sido nossa tarefa. Usamos as Graças como ferramenta para chegar às outras Graças.

Akarashi Kaminashi o garoto ruivo aqui... - Disse Jibrille apontando para Kaminashi. - Possui a Manopla de Xiuhtecuhtli, o “Senhor Turquesa” ou "Senhor do Fogo". Um deus do fogo asteca, que algumas culturas dizem ter presidido o nascimento do sol e levantara as quatro árvores que sustentavam o céu, segundo o mito asteca. Na prática, sua manopla amplia sua força física, fazendo com fique muito mais destrutivo e pode disparar projéteis de fogo e praticamente incinerar tudo o que toca. Kaminashi recebeu a manopla do seu pai, um dos fundadores quando este a encontrou em uma expedição a uma ruína asteca.

Iyashi Kamino, este rapaz louro ao meu lado... - E aqui, Kamino moveu a cabeça em uma assertiva ao Doutor, como se o cumprimentasse. - Usa as Botas de Quetzalcóatl, o deus da sabedoria, da vida, do conhecimento, do alvorecer, do padrão, de fertilidade, dos ventos e a luz, o governador do Oeste, segundo os astecas. Kamino recebeu a Graça quando acompanhou o mesmo grupo de exploradores no qual o pai de Kaminashi estava na expedição. Sua Graça controla os ventos, emite clarões, pode disparar rajadas luminosas ou eólicas e amplia sua velocidade em várias escalas.

Kirigami Hikarideari, o rapaz moreno aqui... - Jibrille ergueu o indicador voltado para o alto para indicar o rapaz. - Possui o Bracelete de Tlaloc, o deus da chuva, o senhor do raio, do trovão, do relâmpago, senhor do inferno, segundo os astecas. Suas habilidades são auto-explicativas, mas ele é capaz de controlar o clima, criar descargas elétricas e nevascas. Ele também conseguiu a graça na mesma expedição que Kaminashi e Kamino, na qual integrava como batedor e rastreador. Ele sempre teve habilidade com animais ferozes e foi o guia do grupo nesta expedição.

E eu, Omokage Jibrille, tenho o Espelho de Tezcatlipoca, um dos três grandes deuses da mitologia asteca. É o deus do céu noturno, da lua e das estrelas; senhor do fogo e da morte. Uma das figuras mais temidas do panteão asteca, criador do mundo, vigilante das consciências. Às vezes é representado como um jaguar e carrega no peito um espelho através do qual podia ver toda a humanidade. Assim como o próprio nome sugere, o Espelho que carrego me dá habilidade de rastrear outras Graças, localizando a energia emitida pelas mesmas como uma grande bússola e também funciona como escudo. Tem outras habilidades, mas elas não são relevantes para o momento.

Nós somos filhos do fundador. – Disse Jibrille indicando a si mesma e ao garoto ruivo – E eles são pessoas de confiança do mesmo. O fundador, nosso líder atualmente está procurando outra Graça em uma região próxima daqui. E é claro que conseguimos financiamento através das nossas Graças. A Graça que ele mais usa para este fim é a Cornucópia de Frey, que lhe permite sempre fartura, não importa a necessidade. Quanto ao nosso nome, somos chamados assim pelo fato de termos achado a primeira Graça em uma região nórdica.

E há cerca de um mês atrás, minha Graça localizou uma forte emanação energética vinda desta região. Então, notamos que ao nos aproximarmos, que os pontos se dividiam em dois: Um permanecendo aqui e outro se afastando. Nosso fundador foi atrás do ponto que se afastava, enquanto nós aportamos aqui.

Agora você sabe do que precisamos e porque viemos até aqui. Sua vez de falar, velho. - Concluiu Jibrille, ainda com um olhar estóico fixo no rosto do cientista. Ela terminou aquela torrente de informações e se serviu de uma garrafa de água presa à lateral da poltrona. Os outros três olharam fixamente para Hollstein, esperando que o velho se manifestasse de alguma forma. E Volker Hollstein suspirou. Fizera anotações mentais de tudo o que tinha ouvido e começara a pensar agora como eles capturariam a menina.
De qualquer forma, agora era a vez do cientista falar. Hollstein explicou o endereço de Leila, falou sobre Cedok e Viliska, transcorreu sobre as cercanias da cidade, explicou que por Yakutsk ser uma cidade muito fria, quase ninguém passava nas ruas e que poderiam capturar a garota com facilidade. Discorreu sobre o evento e levantou suposições sobre uma Graça congelante. Por fim, disse que a moça era muito rápida e que ele não conseguira acompanhar seus movimentos. Entregou um relatório quase militar aos jovens.

Enquanto isso o helicóptero taxiava por sobre a cidade de Yakutsk, enquanto Jibrille examinava o Espelho de Tezcatlipoca, conferindo que realmente o cientista dissera a verdade. O Espelho indicava o ponto energético mais próximo de onde o Doutor indicara. A cidade era praticamente deserta, então foi fácil e rápido aterrissarem ali.

Cidade de Yakutsk, Sibéria.

Uma vez fora do helicóptero, Jibrille apontou para a casa indicada e fez uma assertiva com a cabeça, e todos notaram a silhueta da garota se adiantou. A leitura energética estava confirmada: Vinha da menina.

Kamino sorriu. Era o mais rápido entre os quatro e assim que Jibrille indicou, decidiu acabar logo com aquilo. Sorrindo cinicamente, ele se adiantou, ao passo que a moça se aproximava também. Então, ele se apresentou:

- Olá mocinha. Eu sou Iyashi Kamino. E quero propor um acordo: Nos entregue sua Graça e ninguém se machuca. Se negue e nós, o Perennial Winter irá tomar de você.

A moça, Leila, fez um muxoxo e suspirou pesadamente pelo nariz. Teria que lutar de novo. Então, respondeu:

- Eu não sei que Graça é essa que você está falando. Então vá embora.

Kamino sorriu e disse:

- Então, vamos tomar à força!

Ele golpeou o solo com seus pés e uma grande lufada de vento se ergueu, colhendo Leila de surpresa e a lançando para trás. Ela colidiu com a parede da casa e cambaleou para frente, apenas para Kamino se deslocar em um borrão e detê-la na parede com o pé em seu pescoço.

E sorrindo mais uma vez, disse:

- Que tal entregar a Graça agora?

Leila tinha realmente sido pega de surpresa e arregalou os olhos com o espasmo de surpresa e de dor, e logo sentiu o pé de Kamino fazer contato com sua garganta. Com um olhar para o lado, ela conferiu se Cedok e Viliska estavam dentro da casa e uma vez tendo certeza disso, seu corpo inteiro se aqueceu internamente. Ela estreitou os olhos, se concentrando no alvo à sua frente. Notou outros três posicionados próximos de um transporte com sua visão periférica. Cuidaria deles depois.

Então, Leila segurou o pé de Kamino com as duas mãos em posições invertidas uma em relação à outra, travando-o no movimento que estava e ergueu o corpo, usando a perna de Kamino e a parede em suas costas como apoio. Leila então girou a cintura e aplicou um chute em arco, subindo a perna ligeiramente enquanto rodava a cintura. A manobra tinha um único alvo e o golpe tinha destino certo.

As genitais de Kamino.

Ela notou a expressão do rapaz congelar pela dor e forçou o pé dele em um arco para cima, para torcer o osso em seu próprio eixo, mas Kamino foi mais rápido e usou o próprio chute que levara para tentar se afastar de Leila, soltando o pescoço dela. Ela não esperou que ele se afastasse. Segurou a perna do rapaz com uma das mãos e golpeou com o cotovelo no joelho dele, com bastante força, novamente torcendo o eixo da perna, desta vez na rótula. Kamino sentiu o golpe no joelho com uma dor aguda e começou a ficar realmente preocupado com a perspectiva de quebrar sua perna logo no primeiro movimento e empurrou Leila para trás, desta vez com uma nova lufada de vento. Leila não tinha se preparado, mas sabia que ele podia fazer este tipo de ataque mediante ao fato de que ele era capaz de se deslocar tão rápido quanto ela, e soltou a perna de Kamino, mas apenas para saltar parafusando no ar para trás, evitando a lufada e caindo em postura de combate.

Refeito do susto, Kamino sorriu impressionado. Aquela garota seria difícil e ele tinha adorado. Um desafio à altura, alguém que não podia ser subestimado. A garota a sua frente tinha a expressão focada, os olhos estreitos e perigosos e ele gostou do que viu. Ela manipulava muito bem à sua Graça. Então, avançou novamente para cima dela. Então corria em direção a ela, Kamino indagou a moça:

- Então, é assim que você usa sua Graça. Para aumentar sua velocidade. Que interessante. A donzela tem um nome?

- Se a presa faz questão de saber o nome do algoz, tudo bem. Eu me chamo Leila. – E avançou em direção ao rapaz louro, se deslocando rapidamente pelo solo em alta velocidade.

O borrão que Kamino tinha se tornado foi replicado por Leila e até superado, por em questão de segundos alcançara o oponente. Ambos trocaram golpes velozes que levantaram flocos de neve, formando uma cortina branca em torno dos dois e Kamino percebeu a velocidade e técnica da garota Undertaker. Leila era rápida e precisa obrigando Kamino a lutar defensivamente. Os se cruzavam e se entrechocavam, as botas de Kamino produzindo faíscas ao contato com as lâminas psíquicas de Leila. Enquanto isto, o louro raciocinava. O primeiro golpe tinha-a machucado, mas não era o bastante para pará-la. Se ele não tomasse cuidado, seria derrotado. Foi quando a menina avançou mais para perto e Kamino a colheu com um chute no estômago. Leila se esquivou rodopiando para o lado de sua perna e sem dar tempo para o louro se recuperar, avançou de novo e já aplicava um golpe com os dedos em riste em direção ao pescoço do rapaz da Perennial Winter.

Kamino pressentiu o perigo e desviou com a cabeça do ataque, mas Leila novamente rodopiou o corpo, desta vez passando pela lateral do corpo do louro, colocando sua perna para frente em um sobre passo e enganchando a panturrilha na canela esquerda de Kamino. Com a mão que passara no vazio, ela literalmente agarrou o ombro esquerdo do louro e puxou-o para frente, desequilibrando o rapaz. Kamino ergueu a outra perna, na esperança de atingir o rosto da assassina com um chute, mas o movimento só serviu para continuar sua queda até o solo. Leila então segurou o antebraço esquerdo de Kamino e ele percebeu a manobra, quando sentiu a torção no braço, causada por sua queda destrambelhada e pela pressão que Leila exercia em seu braço. Kamino sentiu seu joelho encostar-se ao solo e Leila, que tinha passado para suas costas com o rodopio, aproveitara o movimento de enganchar a perna na de Kamino para lhe aplicar uma rasteira e segurar seu braço imobilizado pelo ombro e pelo antebraço. Leila estava implacável e então, ainda mantendo uma das mãos no ombro do rapaz, puxou com violência o pulso do louro para cima. Kamino sentiu o espasmo e berrou de dor, enquanto a moça simplesmente fraturava seu braço esquerdo, partindo o rádio e a ulna do rapaz e deixando-os em um ângulo anormal. Leila ergueu a mão esquerda enquanto Kamino agonizava e deixou os dedos em riste, entoando:

- Wind Needle.

Mas quando ia perfurar o pescoço de Kamino, ela o largou e saltou para esquivar-se um relâmpago que estalava perto de seus pés. Curvou o ar enquanto saltava e se apoiou nele, dando um segundo salto e caindo de frente para o seu novo atacante. Leila ergueu as duas mãos e como que uma lâmina de ar condensado e comprimido se formou em suas duas mãos. Leila se lembrou de seu treinamento, das aulas do Lorde Seinn, de suas técnicas.

E então, condensando toda a sua energia, ela entoou:

- Extended Shatter!

E então, as pedras, árvores, e até mesmo o solo começaram a se estilhaçar, partindo-se e quebrando-se indo em direção ao Kamino e a Hikarideari, que tinha lançado o relâmpago para tirar o louro que ainda gritava dali.

Hikarideari passou o braço bom de Kamino por seu ombro, e sendo amparado pelo moreno, o louro conseguiu tocar o solo com suas Botas de Quetzalcóatl e dar um impulso para trás, enquanto gritava:

- Vamos recuar! Ela é poderosa demais!

O grupo prontamente atendeu o recado e usando o poder de suas Graças se deslocou rapidamente a uma das encostas geladas e disparou pela neve abaixo, deslizando pela encosta como se estivessem com esquis para descer a encosta de Yakutsk. Leila praguejou e sentiu o ferimento no crânio pulsar devido ao aumento de sua atividade cardíaca. A pressão sanguínea no ferimento fazia começar a sangrar, mas Leila ignorou isto e continuou avançando em direção ao grupo.

Hollstein tinha corrido até o helicóptero e tentado entrar. Leila o alcançou, segurou o velho pela gola e entrou no helicóptero. Lá matou piloto e copiloto com um gesto impaciente da mão e arremessou Hollstein em um dos bancos com violência.

- Eu pensei ter dito para ir embora! O que deu na sua cabeça cheia de lixo para me desobedecer?

- Leila... – Disse Hollstein apavorado. Tinha ouvido a menina dizer o nome para Kamino e tentava agora apelar para o emocional. – Sou um homem das ciências e me deparei com algo que ela não explica. Tudo o que fiz foi pelo amor à ciência e para tentar encontrar uma resposta. E eles me forçaram. Eles mataram toda minha equipe e disseram que queriam encontrar alguém como eles, com o mesmo poder que eles.

E eu só consegui pensar em você. Alguém que estava no meio daquele evento. Eu só queria encontrar uma resposta antes de partir deste mundo. – concluiu o velho choramingando.

Leila o fuzilou com o olhar. Tinham-na encontrado por conta daquele maldito velho. Sua vida estava sendo escamoteada por conta daquele velho. Parecia fácil resolver aquele problema. A menina então disse:

- Minhas habilidades permitem controlar o ar, através de manipulação cinética com minha mente. Posso erguer objetos com a mente, como por exemplo, seu corpo. – E Leila ergueu o corpo do cientista, que balançou no ar, ainda apavorado. – As possibilidades são infinitas. Mas agora que já entendeu como eu uso meu poder, acho que já encontrou sua resposta. Então...

Leila simplesmente criou suas Wind Needle e atravessou o homem no estômago, enquanto ele flutuava no ar. Hollstein ofegou e lentamente, estrebuchou e morreu. Leila manteve seu braço dentro do estômago do velho até que ele desse seu último suspiro. E então, o largou e decidiu seguir a Perennial Winter.

Leila não perdeu tempo. De um salto, ganhou a encosta e calcificando os pés com seu cosmo, ela precipitou montanha abaixo, literalmente esquiando com seu cosmo. Mas a Perennial Winter tinha ganhado uma vantagem, que logo ela cobriria. Ela os acharia e acabaria de uma vez com aquilo.

Encostas das montanhas ao redor de Yakutsk, Sibéria.

- AAAAH! – Gritou Kamino, enquanto era apoiado em uma árvore. O braço estava com uma aparência grotesca, arroxeado, torto e inchado. Hikarideari deixou-o sobre a árvore e voltou a montar guarda, para verificar se Leila estava a caminho.

- Fique quieto. – Disse Jibrille, calmamente, enquanto prendia a correia do Espelho no braço e remexia sua mochila, de forma desinteressada.

- Aquela vadia! – Bradou Kamino, colérico. – Como ela pode ser tão poderosa? Eu tinha o combate sob controle e aí...

- Hunf! Se você tivesse o combate sob controle, ela não teria arrebentado seu braço, seu babaca! – Atalhou Kaminashi, rilhando os dentes ante a incompetência aparente de Kamino.

- O quê? Ora, seu pirralho! Eu vou... – Disse Kamino, respondendo a provocação, mas Jibrille interveio.

- Calados, vocês dois. Agora, relaxe Kamino, eu vou ter que gastar energia para isto. – Jibrille tinha tirado um retrato de dentro da bolsa. Era uma foto do próprio Kamino, trajando apenas um pequeno calção. Jibrille aproximou a fotografia do Espelho, até que a mesmo refletisse a foto. O Espelho começou a brilhar e Jibrille tirou a foto, virando o Espelho para o braço de Kamino. Para o espanto do louro, o reflexo da foto permaneceu no espelho, mesmo depois que Jibrille a afastou. Então, o braço de Kamino começou a brilhar da mesma forma que o objeto que a menina de cabelos esmeralda segurava e no instante seguinte, seu braço estava inteiro. Ele tocou o próprio braço, incrédulo e olhou para Jibrille, que estoicamente respondeu, antes que ele perguntasse:

- O Espelho de Tezcatlipoca reflete apenas a verdade, mas a verdade vista através dos olhos do Deus Jaguar. Uma vez que eu guardei fotos de todos nós em perfeitas condições de saúde, basta que eu compare os reflexos e decida qual é o verdadeiro para o outro ser anulado. Funciona muito bem para membros quebrados, decepados e tiros até onde eu sei. – Ela guardou a fotografia na mochila e prosseguiu: - Mas é claro que consome muita energia e não posso usar esta habilidade de forma leviana. Por isto, tome cuidado da próxima vez.

Kamino se levantou e voltou seus olhos para a montanha. Rilhou os dentes e disse:

- Vocês voltam até o helicóptero e buscam suprimentos. Eu vou pegar aquela Graça, custe o que custar. – E começou a subir a montanha, suas botas fazendo com que deslizasse velozmente pelo gelo, até se tornar um borrão e sumir na cortina de neve pulverizada que levantara. Kaminashi ergueu o dedo para protestar e dar um berro, mas bufou e se virou para os outros dois, cruzando os dedos atrás da nuca e apoiando a cabeça nas mãos.

- E agora, o que fazemos? – Perguntou desinteressadamente.

- Voltamos ao helicóptero. Temos que nos reportar ao Líder. Kamino deve conseguir a Graça em pouco tempo, agora que está sério. – Ponderou Hikarideari, se voltando para a montanha à frente deles. Vamos começar a subida e poupar energia das Graças. Não sabemos se Kamino pode precisar de suporte quando voltar.

Assim, o restante da Perennial Winter começou a escalada, ao mesmo tempo em que Leila se aproximava vertiginosamente. A moça Undertaker estava quase alcançando o ponto onde o grupo parara, até ver um deslocamento veloz de cosmo vindo em sua direção. Ela reconheceu a energia: Era o tal de Kamino, vindo em sua direção. Ela se manteve em direção a ele, deslizando pela encosta gelada, enquanto Kamino subia zunindo ao seu encontro. O vento assobiava passando por ambos, enquanto se concentravam para interceptar um ao outro. Kamino concentrou energia em suas botas, e a Graça brilhou, anunciando que liberaria a energia contida nela em breve. Leila não hesitou e concentrou sua Wind Needle na mão direita e então, os dois se chocaram com estrondo. O peito do pé direito de Kamino, que tinha saltado e aproveitado o impulso de sua graça para aplicar uma voadora, colidira com a mão direita de Leila, envolta por sua adaga psíquica recoberta de cosmo. O choque distorceu o ar, gerando uma explosão que lançou os dois para longe com um baque ensurdecedor.

Uma vez afastada de Kamino, a moça procurou o seu alvo com os olhos e o viu ganhar altitude. Suas botas o faziam saltar bem mais alto que qualquer humano, ganhando cinco metros com facilidade. Kamino moveu o corpo em um arco e chutou aproveitando o impulso. Da ponta da sua bota, uma imensa rajada energética foi disparada. Ela era luminosa e branca, e Leila pressentiu o perigo, desviando-se para o lado oposto ao arco luminoso, que dividiu pedras ao meio como se fossem feitas de manteiga. Era um potente laser lançado pelas botas e parecia que não seria o último.

Kamino não se deteve e antes de alcançar o solo, golpeou mais uma vez desta maneira, lançando outro arco energético, desta vez na direção oposta ao primeiro. Leila se evadiu para trás, evitando por pouco o disparo que colheu a parte frontal da montanha e a sulcou em uma área de 10 metros. O rapaz louro estava sério:

- Leila, não é? – Ele disse, cheio de ódio. – Eu vou arrancar os seus braços, suas pernas e depois tirar a Graça de você. E então, vou usar você como meu brinquedo, sua vadiazinha impertinente.

- Você tem gostos estranhos... – Disse Leila, tranquilamente. – Me responda uma coisa antes de me usar como brinquedo, Kamino. Isto aos seus pés é uma Graça?

- É claro que é! – Ele rosnou, potencializando a energia e lançando mais um disparo energético. Mantinha-se no ar usando seu controle eólico, enquanto atacava Leila livremente. – E logo vou pegar a sua também!

Agora, Leila tinha entendido. Eles achavam que seu cosmo vinha de um objeto e queriam este objeto. Mas ela não queria mais ficar esquivando enquanto ele extravasa sua raiva através de ataques e impropérios. Leila se cansou da brincadeira. Não iria quebrar o braço de Kamino daquela vez.

Kamino afinal pousou e avançou em direção à ela, com o pé esquerdo energizado e golpeou chutando, obrigando Leila a se esquivar. Então, triunfante, ergueu a perna direita carregada de pressão eólica. Aquilo iria retalhar Leila se ela bloqueasse, coisa que ele já via ela se movimentando para fazer. Kamino podia até ver a menina coberta de ferimentos e ataduras o servindo e implorando piedade.

Até sentir uma dor lancinante em seus joelhos.

Leila se esquivara do chute energético sim. E quando o chute pressurizado viera, ela simplesmente usara o ar que Kamino deslocava para criar a pressão eólica e o transformara em suas Wind Needles, cravando-os nas duas rótulas de Kamino, no momento do bloqueio. O louro caiu prostrado no solo, com as pernas esguichando sangue e balbuciou, vencido:

- N-não... C-como... – Ele tentou usar sua Graça para fugir uma segunda vez, mas Leila pisou em seu pescoço, impedindo que rastejasse ou usasse seus poderes, de forma similar ao que ele fizera com ela quando se encontraram pela primeira vez.

- Bem, com adagas psíq... Ah, deixa pra lá. Você não entenderia. O que importa é que eu realmente não tenho Graça. Eu sou a Graça! – Leila deu um sorriso sádico e uma Wind Needle surgiu da sola de seu pé, executando Kamino. Ele gorgolejou sangue, levou a mão à garganta e manchou a neve de vermelho, ficando imóvel.

Leila tirou o pé do pescoço de Kamino e arrancou suas botas. Encarou-as por alguns instantes e então, invocando mais uma Wind Needle, estilhaçou as Botas em pedaços. Já era bastante problemático o mundo sem aqueles artefatos. Leila se concentrou e sentiu a energia dos outros. Agora, faltavam três.

Montanhas ao redor de Yakutsk, Sibéria.

- Kamino está morto e sua Graça foi destruída. – Jibrille disse aquilo de repente com a frieza que lhe era característica e Hikarideari e Kaminashi a olharam incrédulos.

- Como é? – Disse Kaminashi piscando diversas vezes os olhos, como se tivesse levado uma pancada na cabeça. – O cabeça de bagre morreu!?

- Tsc – Hikarideari soltou um estalo de desaprovação com a boca e seu semblante ficou tenso.

- É isso mesmo. – Confirmou Jibrille. – O seu rastro energético sumiu e o da Graça também. Logo, ele está morto e a Graça destruída. E a outra Graça está vindo nesta direção.

Kaminashi deu um soco com a mão envolta pela sua manopla e destruiu uma árvore em fúria. Abaixou a cabeça tremendo e escondeu seus olhos, para não mostrar que estava chorando. Então, ergueu a cabeça, com os olhos repletos de lágrimas e disse, fechando o punho que se inflamava:

- Eu mesmo vou matar aquela vadia!

- Não. – Hikarideari disse, de costas para os irmãos. – Vocês são filhos do fundador. Kamino e eu devemos muito a ele. Devemos nossas vidas a ele. Vocês continuam subindo até o helicóptero e reportam a situação. Eu vou pegar a Graça dela, matando-a se necessário.

Kaminashi seguiu a contragosto com Jibrille montanha acima. O garoto ainda estava tomado de tristeza, enquanto Hikarideari ficava para trás. Enquanto o moreno se concentrava para invocar os poderes do bracelete, se lembrava de como tinham se reunido naquele grupo.

O fundador, Akarashi Hideki o tinha encontrado na periferia do Cairo, sujo e vivendo de trocados e pequenos mascates. Os pais do garoto (que na época se chamava Jamal) tinham morrido vítimas de uma doença infectocontagiosa que assolou a população.

Sem expectativa de vida, Jamal servia como guia turístico nas pirâmides, até que em uma expedição, salvou a família de um turista de uma tempestade de areia, resgatando as crianças gêmeas e os pais de um deslizamento. Este turista era Hideki e o rapaz fora acolhido pelo fundador da Perennial Winter, presenteado com o bracelete e rebatizado de Kaminari Hikarideari, sendo acolhido como uma espécie de irmão mais velho dos filhos do casal Akarashi. Kamino viria logo depois, sendo resgatado de um conflito armado na Romênia por Hideki. Kamino também recebera uma Graça, um novo nome e uma nova vida.

Juntos, eles aprenderam a controlar suas Graças e a proteger as crianças, os irmãos Jibrille e Kaminashi, os futuros líderes. Hikarideari e Kamino tinham treinado as crianças quando estas tinham recebido suas Graças e apesar das discussões que aconteciam sempre entre o grupo, eles se davam bem como uma família. Isto explicava o ódio de Kaminashi pela morte de Kamino.

Mas Hikarideari não faria as crianças passarem por isto de novo. Seu bracelete, oculto pelo casaco finalmente brilhou e revelou suas inscrições astecas douradas e brancas. Hikarideari se concentrou e então, com os poderes do Bracelete de Tlaloc, uma grande nuvem negra se fechou no céu, ao mesmo tempo em que a neve precipitava a deslizar montanha abaixo. Então, Hikarideari fechou o punho e uma imensa massa de neve começou a se destacar e descer a montanha, em uma imensa avalanche. Enquanto isto, a nuvem negra continuava se formando.

Leila não demorou a notar isto. O céu ficando escuro e se nublando, fazendo a Undertaker sentir o ar estalando de estática. Foi então que ouviu o som da avalanche e viu a grande massa de neve e rochas se aproximando e engolfando tudo na sua direção. Aquela neve tinha sido desprendida por cosmo. Mais uma daquelas malditas Graças!

- Essas porcarias deviam se chamar Desgraças! – Disse exasperada Leila, enquanto corria para trás de uma pedra para recuperar o fôlego. Sua cabeça pulsava e finalmente, uma gota de sangue pingou na neve, colorindo-a de carmesim no ponto onde caiu.

Leila levou à mão ao curativo enquanto se agachava atrás do rochedo e o sentiu quente e úmido. O ferimento pulsava doloridamente pela pressão sanguínea dela. Precisava trocar o curativo e descansar um pouco.

A moça mexeu nas correias e bolsos do fardamento militar que usava e buscou um pouco de gaze, algodão e uma pomada cicatrizante, coisas que pegara no banheiro do casal de exploradores. Rapidamente, depois de desinfetar o ferimento com um pouco de álcool, Leila fez rapidamente um curativo e o atou ao crânio, se recostando ao rochedo que era coberto pela neve para descansar.

A avalanche passou por cima do rochedo ao qual Leila estava apoiada, sem sequer tocá-la. Leila refletiu antes de tomar fôlego e se levantar. Ela tinha que pará-los antes que chegassem até a cidade. Obviamente, tinham mandado o rapaz louro para detê-la enquanto o restante fugia o que daria tempo de renderem Cedok e Viliska. Ela se ergueu e com um salto, simplesmente começou a deslizar sobre a avalanche que ainda caía. Não demorou a vencer a distância que a neve cobria e voltar a se deslocar pelo solo em alta velocidade, erguendo neve pelas suas laterais enquanto corria. Ela logo visualizou Hikarideari, que simplesmente desceu da rocha onde estava e caminhou até Leila. Ela não iria passar.

Os dois se encararam. E Hikarideari então disse:

- Então, você o eliminou. Quando Hollstein falou sobre você, eu não julgava que você era tão poderosa, Senhorita Leila. Sua Graça é notável.

- Como eu disse ao seu amigo Kamino, eu não tenho uma Graça. Isto é minha energia. Eu treinei muito para chegar a este nível. Vocês não têm o que levar. – Disse ela, resoluta. – Se forem embora, ninguém precisa se ferir. Eu não gosto de matar, mas não vou hesitar em fazê-lo se me obrigarem.

Hikarideari, então, tirou o pesado casaco e com ele, o terno que usava. Seu bracelete ficava por cima da camisa, branco e dourado com os pictogramas que Leila vira nas botas de Kamino. Ele estalou as juntas das falanges uma na outra, mexeu o pescoço com um estalo e se posicionou com a palma da mão aberta em direção a menina e as pernas ligeiramente afastadas.

- Se você realmente controla energia, então você é a Graça. E vamos levá-la se for o caso.

Leila entendeu então. Teria que matar a todos eles. E naquele momento, se decidiu. Iria eliminar este mal pela raiz. Muito provavelmente essas pessoas inescrupulosas matariam ou renderiam qualquer um que controlasse cosmo e fosse mais fraco do que eles. Leila não iria deixar que isto ocorresse.

Agora era para valer.

Leila então, já vacinada pela luta com Kamino, avançou em alta velocidade, usando seu cosmo para quebrar a barreira do som com um estampido. Hikarideari não se intimidou. Simplesmente, o bracelete convocou um relâmpago dos céus e o mesmo caiu sobre Hikarideari, o cobrindo com uma aura azulada. Ele então disparou em direção à menina, com uma velocidade similar à dela. O moreno revestiu seus punhos de mais energia vinda das nuvens e a golpeou com uma forte pressão magnética, diversas vezes, mas Leila evitou a rajada de golpes com um salto acrobático para trás. Mas desta vez, ela não seria afastada.

Ela logo encurtou a distância de combate entre os dois e Hikarideari sentiu uma súbita tontura. Leila usava seu poder para criar um campo de força em torno de sua cabeça, roubando o oxigênio do moreno. Impaciente, Hikarideari explodiu energia para fora do bracelete, para se livrar do campo que o aprisionava. Ele conseguiu, mas com a tontura, sua visão se turvou e ele perdeu Leila por alguns segundos.

Foi o bastante para que a moça surgisse com uma investida cruel por baixo de Hikarideari e aplicasse uma cotovelada em seu pescoço e queixo, que o fez cambalear. E então, Leila notou:

- Sua aura lhe confere resistência. Ótimo. Não preciso conter minha força para danificar o ambiente. Você vai conter minha energia.

Apesar da bravata, Leila sabia que seu ferimento estava limitando seus movimentos e suas habilidades, pois não podia desprender tanta energia e nem manter a concentração pelo tempo que deveria. Assim como Hikarideari estava mais resistente pela aura gerada pela sua Graça, ela não podia dar tudo de si, o que equiparava a luta.

Mesmo assim, ainda restava o combate à mão limpa, e também ali Leila encontrou um rival. Logo após a cotovelada da ex-assassina, o rapaz moreno se aprumou e avançou em direção a ela, golpeando com um chute circular, do qual Leila se esquivou. Porém, o que a moça não previa é que logo após a perna de Hikarideari errar o alvo, ele descesse a perna ao solo e golpeasse Leila ainda no movimento de esquiva com um soco direto no estômago, ainda com a mão magnetizada.

Leila vacilou, sendo pega pelo golpe e o moreno aproveitou a chance da guarda aberta da moça e encaixou nela muitos outros socos, em específico um deles no rim direito e outro em seu nariz, que Leila não conseguiu aparar devido o homem ter furado sua guarda. Ao mesmo tempo, diversos raios coalhavam o corpo de Leila juntamente com os golpes do membro moreno da Perennial Winter. A aura equiparava também a velocidade dos dois e com isto, Hikarideari era capaz de acertar Leila múltiplas vezes.

Leila sentiu os espasmos dolorosos dos raios elétricos percorrendo seu corpo, ao mesmo que sentiu o sangue descer do nariz golpeado e tocar seus lábios. Ela forçou o ar para fora do nariz assuando o sangue para fora e cuspiu o que tinha se empossado em seu rosto, sem desviar os olhos do moreno.

Se concentrando, Leila avançou novamente, com um golpe planejado na altura do ombro do oponente. Consistia em golpe de mão aberta, que ela sabia que ele iria evitar. Ao contrário dela, Hikarideari não esquivava, se defendia. Ele bloqueou o golpe dela, afastando o braço da moça para que ele passasse no vazio. Leila não se intimidou. Ao contrário, ela aproveitou que seu braço subia para um ângulo fora do ombro do membro da Perennial Winter e entrou na guarda dele, aplicando um golpe com as Wind Needle no rim esquerdo, golpe que só foi parcialmente absorvido pela aura de Hikarideari, sendo recebido quase inteiramente.

Ainda próximos, o moreno segurou o pulso de Leila que tinha desviado e desprendeu pelo corpo da moça uma potente descarga elétrica que vinha direto das nuvens, como se o moreno fosse um para raios. Leila sentiu os espasmos sacudirem seu corpo e o choque queimar sua pele, mas antes que fritasse ante a corrente que se espalhava, ela bateu no tórax do rapaz moreno com a mão espalmada mais uma vez e aplicou toda a energia que pôde em um golpe cinético, que arremessou Hikarideari pelos ares, fazendo com que ele colidisse contra as rochas da montanha e cuspisse um bocado de sangue escuro.

Hikarideari arquejou. Sentia como se uma enorme marreta tivesse golpeado seu tórax. A colisão contra as rochas não aliviara a sensação, fazendo-o se sentir como um pedaço de ferro malhado por um ferreiro na têmpera. Ele se equilibrou e decidiu deixar o combate corpo a corpo de lado, pois pelo visto perderia se continuasse tentando. Então, começou a mexer os dedos, invocando o poder de seu bracelete mais uma vez. O rapaz moreno estalou os dedos e conectou os raios em direção à Leila, para acabar de uma vez com a luta.

Mas Leila não estava no mesmo lugar.

Ela tinha se recuperado logo após seu impacto cinético e disparado em direção à Hikarideari, já em alta velocidade e estava muito próxima novamente. O moreno arregalou os olhos e se fechou em defesa, mas era tarde: Leila acertava um segundo impacto cinético e um terceiro, mas desta vez se deslocando juntamente com o explorador em uma trilha de vácuo e um borrão de energia translúcida. Cada impacto levantava sopros de poeira e neve tanto do chão quanto do corpo de Hikarideari, e a cada acerto o sangue dele espirrava pela boca, enquanto Leila continuava no ímpeto. Ela acertou outros sete golpes no tórax de Hikarideari, alternando as palmas de suas mãos a cada golpe e se deslocando, até finalmente romper a couraça energética de Hikarideari em um último e derradeiro golpe, que transformou tanto as vestes de gala em fiapos, quanto explodiu a sua Graça, levando junto o braço ao qual estava atada.

Hikarideari, pego de surpresa pela chuva de golpes, apenas teve um último pensamento nas crianças. Elas estavam condenadas se aquela moça chegasse até eles. Em um último esforço, enviou toda a energia da explosão da Graça contra o corpo de Leila, que como estava no meio do golpe, recebeu a explosão em cheio antes de cravar sua Wind Needle no cérebro do rapaz, que morreu sem agonizar mais.

Ela não se incomodou com o dano. Apenas passou a mão sobre o nariz, cuspindo o muco e o sangue que se acumulara em seu rosto mais uma vez e decidiu partir. Olhou para o alto e se decidiu. Tinha que parar aqueles dois malucos. Se eles fossem iguais ao que acabara de enfrentar e tivessem acesso a mais destas Graças, o mundo e as pessoas corriam sérios riscos.

Leila buscou mais uma gaze e limpou o nariz enquanto corria. Não podia correr o risco de ter sua respiração obstruída enquanto lutasse, não podia deixar de se oxigenar. Assim, limpou o sangue de seu nariz e destruiu a gaze com seu cosmo, avançando em alta velocidade. Já estava quase na cidade.

Foi quando um cometa alaranjado irrompeu das árvores e a acertou em cheio em seu peito, ao que uma voz bradava:

- Tora Inin!

Era Kaminashi. Jibrille tinha lhe dito que mais um dos companheiros da Perennial Winter tinha morrido e isto fora o bastante para o garoto se precipitar atrás dela e interceptá-la. Ele colhera Leila com um potente soco no peito, lançando-a muitos metros para trás. Mas sem dar tempo, ele corria em direção à moça, a manopla brilhando sedenta de um novo ataque.

Leila, desta vez, se recuperou no ar e partiu para cima de Kaminashi, sem paciência para tentar argumentar. Seu treinamento Undertaker via apenas as falhas na postura e como explorá-las. Assim sendo, esperou Kaminashi encurtar a distância e esmurrá-la uma segunda vez, enquanto ele gritava:

- Vou matar você! Dane-se a sua Graça, eu vou matar você.

Ele era mais perigoso que os outros dois. Foi o que pensou Leila, sentindo o calor e o cosmo do ruivo passando ao seu lado, enquanto ela rodopiava defensivamente para a direita, como em um balé gracioso. Ele tinha a energia mais poderosa que a dos demais e era mais agressivo, porém tinha menos técnica. Logo que se evadiu, Leila terminou seu giro nas costas de Kaminashi e acertou suas costas com um chute circular, com a perna carregada de cosmo. A energia explodiu nas costas do garoto, fazendo com que concluísse a investida de forma desajeitada e fosse enviado diretamente a uma rocha, com a qual se chocou. Porém, antes de bater nela de modo a se ferir, Kaminashi recuperou o equilíbrio e saltou para trás logo após o golpe, se aprumando.

Então, virou-se de costas e saltou tomando a pedra como apoio. Do alto, lançou diversas esferas flamejantes, que Leila confrontou com sua energia, apagando-as criando auras em torno das esferas. Ao que tocou o solo, Kaminashi se precipitou para cima de Leila e golpeou-a furiosamente e Leila percebeu que seria difícil lutar com ele, pois a mesma aura que cercava Kamino e Hikarideari estava em volta do corpo dele, mas desta vez, a mesma era flamejante, impedindo que Leila bloqueasse seus golpes ou mesmo o atacasse diretamente. Teria que pensar em como romper as defesas dele, da mesma forma que fizera com Hikarideari. Assim sendo, começou a se evadir de seus golpes, esquivando-se e usando suas Wind Needle para evitar golpes muito velozes. Sua cabeça pulsava e pesava, o que tornava a tarefa ainda mais difícil.

Kaminashi atacava Leila sem dar tempo para a Undertaker. Golpeava diversas vezes, usando os braços e pernas de forma ritmada e coordenada, com menos técnica que os demais, mas com muito mais força. Leila bloqueou os golpes dele com as Wind Needle, mas não conseguia se evadir, até que o ruivo golpeou com força os braços de Leila com sua manopla. A moça cruzou as Wind Needle na defensiva, travando o soco com suas lâminas de ar. Mas a força de Kaminashi era tamanha que ele arrastava a moça para trás, fazendo com que ela criasse sulcos no solo com os pés. Leila forcejou contra ele e resistiu. Mas enquanto ele a empurrava, o ruivo falava:

- Eu vou te esmagar. Nunca usei tudo que minha manopla pode fazer contra alguém. Vai ser bom usar alguém como cobaia. Vou transformar você em churrasco, vou fritar você. Quanto mais sofrimento eu te causar, menos satisfeito eu vou ficar e vou te fazer sofrer mais, sua...

Neste momento, Leila puxou o tronco para trás e golpeou com força o rosto do garoto com uma violenta cabeçada. Kaminashi escorregou e se curvou, gemendo de dor e Leila conduziu as costas dele para baixo e subiu o joelho com força em seu rosto novamente. Kaminashi caiu para trás, segurando o rosto agonizando. Leila tinha acertado com muita força em seu supercílio, nariz, osso zigomático e maxilar, deixando-o extremamente machucado. Ele esperou o próximo golpe, tentando se recuperar da dor excruciante.

Mas Leila estava apoiada em um resto de árvore, gemendo de dor. Ela até ergueu a mão para finalizá-lo, mas seu crânio parecia ter sido pisoteado por um elefante. Ele pulsava, latejando de forma lancinante, pois o ferimento agora estava pior do que nunca.

Sem escolha para se livrar da pressão que o punho do ruivo exercia sobre ela, Leila batera no rosto desprotegido e vulnerável à sua frente com o único membro que podia utilizar: A própria cabeça. O problema é que com o crânio ferido, o golpe também a machucara a ponto de ela quase desfalecer, sentindo como se um bilhão de agulhas flamejantes penetrasse seu cérebro. Para ganhar mais tempo, Leila aplicara uma forte joelhada no zigomático de Kaminashi e se moveu para trás, apoiando na árvore para se recuperar. O nariz dela voltara a sangrar, e seu ferimento craniano pulsava, fazendo Leila arregalar os olhos e ter ânsias de vômito devido à dor intensa.

Kaminashi demorou alguns segundos para se levantar, dando assim tempo de Leila respirar e da dor cessar.

- Sua... Sua v-vadia... – Ele balbuciou, se levantando. – Eu vou a-acabar c-com você e...

Então, ela explodiu. A paciente Leila, a tolerante Leila, a calculista Leila finalmente explodiu.

- E por quê? Eu não fiz nada para vocês! Eu estou aqui, tentando me recuperar de um ferimento e vocês chegam como se fossem os donos de tudo e tentam me atacar! Eu só estou me defendendo!

Sua energia rodopiou em volta dela e ela encarou perigosamente Kaminashi.

- Vocês só querem o meu poder. E eu já passei por isto antes. E não vou passar de novo. De agora em diante...

Sua aura ficou mais forte e a pressão eólica e energética em torno de seus punhos era tamanha que era possível vê-la na forma de pirâmides isósceles de cor cinzelada, alternando para um purpúreo com um efeito furta cor.

- Meu poder é só meu.

Kaminashi se calou quando Leila o cortou e limpou o sangue que escorria da bochecha e dos lábios com as costas da mão oposta à da manopla. Sem dizer mais nada, ele se aprumou na postura de combate e decidiu se acalmar. Não conseguiria levar a garota se continuasse atacando com destempero. Ele sabia, tinha entendido. O poder vinha dela e não de nenhum objeto. Ela era a Graça, ele sentia isso. Assim sendo, precisava levá-la.

Ao mesmo tempo, Leila agora tomara sua decisão de uma vez por todas. Iria parar aqueles lunáticos, exterminá-los de uma vez por todas. Se eles tiveram a coragem de vir até aquele local, matar todos os envolvidos e atacá-la sem escrúpulos, o que poderiam fazer a alguém que não pudesse se defender? Estava na hora de usar suas habilidades do jeito que ela quisesse e do jeito que ela achasse certo.

E iria começar parando a Perennial Winter.

Leila se posicionou com as Wind Needles erguidas, pronta para mais um bote. E este seria o último contra Kaminashi. Leila não tinha mais dúvidas sobre seu objetivo. Mesmo ele, mesmo seu parceiro, a pessoa com quem ela mais se importava podia esperar. Ela tinha que eliminar aquele mal.

E faria isto agora.

Leila disparou em direção ao rapaz, jogando os braços para trás. Kaminashi parecia ter chegado ao fim de suas conjecturas também e correu em direção a ela. Ambos se alcançaram e Kaminashi sentiu mais poder nas lâminas de Leila. Desta vez ele não atacou às cegas. Ele desviou um dos braços da moça para a direita, entrando na guarda dela, que sabiamente evitou o golpe que ele encaixaria com um sobre passo pra trás e encaixou um golpe no rapaz, que o evitou bloqueando para a esquerda desta vez. Eles trocaram uma centena de golpes, destruindo o ambiente à sua volta quando erravam, levantando nuvens de poeira, neve e lascas de árvores. As lâminas implacáveis de Leila retalhavam o que tocavam, criando profundos sulcos no solo quando Kaminashi saltava ou se esquivava, ao passo que ele explodia a montanha deixando marcas fumegantes gigantes no chão quando Leila parafusava para longe.

Aquilo durou alguns minutos, até ambos partirem para o golpe derradeiro. Kaminashi incandesceu seu braço e Leila criou uma única Wind Needle e ambos se lançaram um sobre o outro.

O ruivo calculou exatamente onde o soco iria atingir e enviou o punho naquela direção. Leila também acompanhou o punho, vendo-o se aproximar de sua cabeça como um meteoro flamejante.

A cena ficou em câmera lenta para ambos os contendores. Leila então, se moveu e aparou o braço de Kaminashi, desviando-o para fora do ângulo, em uma manobra precisa, mas que também a feriu, queimando seu braço direito. Kaminashi então sorriu e avivou suas chamas. Iria explodir Leila, tinha conseguido fazer contato com ela, era só o que precisava.

E então, ele percebeu que tudo à sua volta ficara vermelho.

Leila envolvera sua manopla e posteriormente todo o seu corpo com sua energia logo após o contato, criando um poderoso campo de força em torno do ruivo. Ela continha a energia de Kaminashi dentro da bolha e forçava sua energia a manter a esfera translúcida inteira.

Neste momento, Kaminashi viu sua manopla ficando dourada. Ele estava queimando, mas graças a sua aura não sentia dor. Mas era questão de tempo até acabar sua energia. Ele pensou em Jibrille, sua meia irmã. Ela sempre dizia com sua expressão vazia para que ele não se excedesse. Era curioso que na única vez em que a obedecera, tinha sido condenado. Não conseguiria levar a Graça ao seu pai, não conseguiria fazer Jibrille sorrir e nem protegê-la mais. Ela nunca mais tinha sorrido desde a morte de sua mãe, a exploradora que tinha o Espelho antes dela. Kaminashi tentara fazê-la rir múltiplas vezes, mas sem sucesso.

Pelo menos morreria em uma luta na qual dera tudo de si.

Sorrindo, ele se deixou consumir pelas chamas.

Leila deteve a esfera quando percebeu que o fogo começara a se extinguir. Mas, assim que a desfez, apenas viu um punhado de cinzas avermelhadas e fumegantes no lugar onde o garoto estava antes. Ele havia sido devorado pelo próprio fogo.

Leila não se deteve. Voltou a cabeça para o alto da montanha e seguiu seu caminho. Em pouco tempo, estava de volta à Yakutsk, pronta para deter a última integrante do Perennial Winter.

Omokage Jibrille.

Cidade de Yakutsk, Sibéria.

- Droga. – Imprecou Jibrille mais uma vez acessando o sistema de rádio do helicóptero. Ninguém respondia ao chamado, ninguém atendia em nenhuma freqüência. E ao usar o Espelho e se concentrar, não sentira mais nenhum foco energético nas coordenadas onde o fundador estava.

Ela sabia. Hideki estava morto. Assim como sua mãe tinha morrido, e agora Kamino, Hikarideari e seu irmão, Kaminashi. Todos estavam mortos.

E tudo o que Jibrille disse foi “Droga”. Sem sequer alterar sua expressão, sem sequer lamentar, sem sentir tristeza. Mas a verdade é que, desde que sua mãe lhe dera aquele espelho, antes de morrer, nada mais a chocava.

Ela não conseguia mudar de expressão, se surpreender, ficar colérica ou cair em prantos. O Espelho mostrava a energia e a intenção de todos à sua volta. O mundo não era um mistério.

E é claro que este poder a deixava distante dos demais. Ninguém entenderia por que uma garota podia prever as intenções de um homem adulto e se antecipar a ele. Era por isto que sempre era ouvida ou considerada nas reuniões. Jibrille desenvolvera graças ao Espelho de Tezcatlipoca, uma sensibilidade ímpar que fazia com que ela fosse à principal negociadora da Perennial Winter.

Mas ela sabia que nada disto iria adiantar. Leila estava subindo e os reforços também não respondiam o rádio. Rapidamente, ela deduziu que se Leila era capaz daquilo, ela provavelmente não era a única. E ela considerou que talvez outra pessoa tivesse dado fim ao restante da Perennial Winter.

Muito provavelmente, quem tinha criado aquele evento.

O outro ponto no espelho.

Jibrille então pegou uma arma e saiu do helicóptero. Tinha pouco tempo até que Leila chegasse. Foi até a casa do casal e atirou na fechadura até abrir a porta. Então, entrou e encostou a arma na cabeça de Viliska, dizendo para Cedok em seu tom de voz costumeiro:

- Se você se mexer, eu estouro os miolos dela.

Cedok paralisou e calmamente Jibrille disse:

- Sente-se naquela cadeira ali. E lembre-se, não se mexa.

Pacientemente Jibrille aguardou. E então, Leila irrompeu pela porta. Jibrille segurou calmamente o cão da arma e disse:

- Olá Leila. Vamos conversar.

Leila estacou ao ver Viliska rendida. Simplesmente se prostrou, abaixando o corpo e caindo no chão sobre os próprios joelhos. Jibrille prosseguiu:

- Eu imaginava que você viria atrás de mim. A esta altura você deve ter eliminado os outros que estavam comigo. E seu parceiro deve ter eliminado o restante da Perennial Winter, me deixando sem escolha.

Leila piscou incrédula. E Jibrille prosseguiu mais uma vez:

- Eu sei que não foi você quem desencadeou aquele evento. Provavelmente você foi a causa dele. Com minha Graça, eu vi dois pontos energéticos aqui e um deles se deslocou em direção oeste. O outro é você.

Jibrille fez uma pausa. Leila não reagiu e nem respondeu. E então a moça de cabelos verdes concluiu:

- Está claro que você recebeu treinamento avançado e tem um parceiro que atua com você. E provavelmente se perdeu dele, por isto está aqui. Sabe Leila, se você realmente tivesse uma Graça eu iria propor localizar seu parceiro em troca da sua Graça. Mas já percebi que a energia vem de você e não de um artefato. Você é quem viemos buscar. E você vai me acompanhar até nossa sede. Ou eu vou estourar os miolos dela e depois os dele. O que vai ser?

Jibrille fez todo este discurso sem alterar seu tom de voz. E Leila começou a chorar. Grossas lágrimas escorriam por suas faces, caindo pesadamente no chão. Ela assentiu com a cabeça e se virou para o casal:

- Perdoem-me por ter envolvido vocês nisso. Perdoem-me por ser um monstro.

Ela chorava e se levantou totalmente vulnerável à Jibrille, sem nenhuma vontade de lutar.

- Eu faço o que quiser. Mas não os machuque, eu imploro.

Jibrille então disse:

- Venha até aqui.

Leila se aproximou então e Jibrille colocou a arma em sua testa, se levantando e conduzindo Leila, que ainda chorava copiosamente para fora. Estavam no meio do caminho quando Leila moveu os dedos e partiu a arma de Jibrille ao meio.

O cano da pistola caiu cortado em dois e Leila se virou velozmente, pronta pra decapitar Jibrille. A menina suspirou e simplesmente ergueu o braço onde o Espelho estava preso.

E a lâmina de Leila voltou contra ela.

Leila caiu no chão, sendo atingida por sua própria Wind Needle. Jibrille se virou, percebendo a atuação de Leila e sacou outra arma debaixo do vestido e mirou para dentro da casa e disparou contra o casal, dizendo:

- Você teve sua chance.

E sentiu o braço de Leila atravessar sua perna.

- E você também. – Disse a moça, enquanto Jibrille via que as balas estavam paradas no ar e caíam inofensivamente ao chão.

Ferida e surpresa, ela se virou e apontou o Espelho para Leila se concentrando. Logo em seguida, Jibrille encarou o Espelho.

E Leila viu a menina se transformar em uma réplica sua, com o Espelho no braço. A nova Jibrille, agora com a aparência de Leila, então disse:

- O Espelho reflete tudo o que toca sua superfície. Eu posso decidir o que é verdade no Espelho e substituir o reflexo falso. Essa é minha maior habilidade. Agora, eu sou você, Leila. - E Jibrille sorriu cinicamente para a Undertaker.

Leila odiou ver seu rosto com aquele sorriso. Odiou ver alguém copiando sua aparência. E murmurou raivosa:

- Maldita Doppelganger.

As duas “Leilas” se encararam, só sendo diferenciáveis pelo Espelho que Jibrille portava. Jibrille sorria cinicamente. Leila flexionava os punhos com raiva. E então, as duas sumiram explodindo em um estampido.
Leila media os golpes de Jibrille, cópias fiéis de suas técnicas. Jibrille se movia tão rápido quanto ela, e tinha a mesma habilidade de criar as lâminas de vento. A luta se mostrou complexa, com Leila tendo que usar todo seu conhecimento para manter Jibrille afastada e manter o controle do combate. A todo o momento, mantinha a Doppelganger longe de Cedok e Viliska, mas esta não parecia mais interessada no casal, uma vez que tinha copiado a forma de Leila.

O combate prosseguiu, com as duas cruzando lâminas de ar e produzindo faíscas energéticas. Jibrille não conseguiria manter a forma de Leila por muito tempo, mas Leila estava cansada pelas lutas consecutivas, equilibrando novamente a balança.

Então, Jibrille tentou um golpe ousado. Ela ergueu o Espelho e Leila reconheceu seu Extended Shatter se formando. Jibrille deu mais sorriso distorcido com seu rosto e disse:

- Eu mantive você sobre meu controle o tempo todo. Mantive você enfraquecida e distante com Kamino até conseguir replicar seus golpes. E agora que tenho sua aparência e seus poderes, nem mesmo você pode me parar, fraca como está!

Jibrille riu, pela primeira vez, uma risada histérica e esganiçada e então, entoou de um grito:

- Extended Shatter!

E sua voz foi duplicada. Leila tinha utilizado a mesma técnica em direção a ela. O choque de ondas energéticas foi gigantesco, abrindo uma cratera na frente da casa do casal de exploradores. E uma grande cortina de poeira e neve subiu mais uma vez. E demorou a se desvanecer. Quando se dissipou, uma Leila com um Espelho rachado no braço estava em pé.



O casal se encolheu quando a mesma se virou para eles. Resoluta, ela moveu seu corpo e começou a caminhar em direção a eles. Viliska gemeu baixinho. Cedok se encolheu mais.

A Leila com o Espelho se aproximou do casal e então, perguntou aflita:

- Vocês estão bem?

E então a névoa se dissipou totalmente, eles viram Jibrille, já em sua forma normal caída sangrando, coberta de cortes profundos e com o olhar imóvel.

No momento em que os golpes se acertaram, Jibrille erguera o escudo para devolver o segundo Extended Shatter para Leila. Ciente disso, a moça acelerou seu corpo em um impulso e simplesmente cravou suas Wind Needles no Espelho de Tezcatlipoca, trincando-o, o que fez com que toda a força do ataque se voltasse contra Jibrille, retalhando-a. Então, Leila pensando em localizar seu parceiro de alguma maneira, tomara o Espelho para si, prendendo-o no braço.

Os dois suspiraram aliviados e abraçaram Leila que sorriu e recostou a cabeça nos ombros do casal. Tinha acabado finalmente. Ela vencera.

Cidade de Yakutsk, Sibéria, dois anos depois.

O helicóptero rodava as hélices dando a partida, aguardando que a garota terminasse de recolher suas coisas. O piloto, homem contratado de Leila testava os controles do antigo helicóptero da Perennial Winter enquanto aguardava Leila se despedir de seus pais adotivos.

Cedok acariciava uma última vez os cabelos da moça que sorria e dava um beijo no rosto de Viliska, que segurava as mãos da moça, agora com 18 anos:

- Você não precisa ir, Leila. Sabe que é bem vinda aqui. – Disse a mulher, tentando em vão detê-la.

- Eu sei mãe. – A menina disse com um sorriso saudoso. – Mas outros malucos como aqueles apareceram e eu não posso ficar parada. Prometo ficar bem e tomar cuidado.

- Se cuide, Leila. E escreva sempre! – Disse Cedok apoiando o braço no ombro de Viliska, que acenou para Leila. Ela sorriu, arrumou a correia da mochila nas costas e subiu no helicóptero.

Enquanto arrumava os fones no banco do co-piloto, Leila lembrou-se de quando subira no platô há dois anos para rastrear seu parceiro e não conseguira encontrá-lo. Então, decidiu que o encontraria, mas que merecia uma vida normal. Destruiu aquelas estátuas e derrubou a cabana de Ivanchenko para sempre e partiu, deixando aquela parte do passado para trás. Durante dois anos, vivera bem com Viliska e Cedok, realmente com uma vida de família.

Com a ajuda do rádio do helicóptero e do Espelho de Tezcatlipoca, ela ficara sabendo sobre outro grupo emergente de caçadores de relíquias, desta vez em Liechtenstein, o Eternal Spring. Então, decidira partir, para impedi-los do que quer que fosse.

Ainda não se lembrava do nome dele. Ainda não sabia seu paradeiro. Mas sabia de uma coisa.

Ele também vivera. E ela tinha certeza de que ele se lembrava dela.

Sorrindo, Leila ajustou os fones e virou para o piloto.

- Vamos, Dalto. Pode decolar.

O piloto deu um sorriso enigmático e tirou o helicóptero do solo, partindo para Liechtenstein.

[E este é o último capítulo da saga da Leila, a namoradinha do marina mais frio da parada. Se você gostou, por favor, me faça saber disso xD]
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