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 Contos Gélidos III

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Andrus de Kraken
General Marina
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Data de inscrição : 11/09/2015

MensagemAssunto: Contos Gélidos III   Qua Fev 03, 2016 9:59 pm

As graças da alvorada

Cidade de Yakutsk, Sibéria.

Volker Hollstein sorriu ao ver a porta ser aberta por Cedok, que o cumprimentou acaloradamente:

- Olá Doutor! Como tem passado? Entre, saia deste frio.

Hollstein entrou e quatro homens armados vieram junto com ele. Estes tomaram posturas ao longo da sala, ficando entre a porta, as janelas e ao lado do outro.

Leila notou que outros quatro tinham ficado lá fora. Estreitando os olhos enquanto se afastava de Viliska, ela calculou mentalmente a posição dos soldados no exterior. Viliska notou a mudança de postura de Leila e a soltou. Leila se levantou e foi ao corredor. Enquanto calçava suas botas, analisou a milícia atentamente.

Tinham vindo com armas leves e estavam pouco atentos, o que era uma vantagem para ela. Em poucos instantes, Leila já tinha todas as informações que precisava, apenas observando o comportamento dos soldados.

Hollstein passou a responder as indagações de Cedok, dizendo:

- Bem estou em um impasse. Acabei de achar uma amostra de sangue mais antiga que a dos cadáveres congelados, bem no centro daquele evento. Elas pertencem a uma garota. Eu estaria certo em supor que esta garota... - Seus olhos se volveram para Leila neste momento. - Poderia ser a mesma das amostras de sangue. Eu gostaria de verificar, retirando uma amostra do sangue dela. É possível?

Cedok sentiu a boca secar. Ele sabia. Queriam levar Leila embora e analisá-la. Ele estava quase respondendo quando Leila se adiantou.

- Dr. Hollstein, certo? Você só precisa de uma amostra de sangue não é? Tudo bem pode tirar.

Ela sorriu para o cientista e se aproximou erguendo a manga do braço esquerdo. Apressadamente, Hollstein mexeu na maleta que trouxera a tiracolo e sacou uma seringa, a qual conectou uma agulha. E então sorriu para a menina.

Ela devia ter a idade da sua neta, Olga. Tinha os cabelos longos e negros, com olhos de um violeta muito bonito e raro. Sua pele era clara, deixando ver contornos de veias azuladas. Usava uma blusa de lã branca maior do que ela e uma calça de moleton escuro, além das botas que calçara. Ainda sorrindo, ele estendeu a mão para aplicar a seringa.

E foi violentamente arremessado na parede.
Leila virou o pulso esquerdo e segurou o braço do cientista, puxando-o contra ela. Então saiu do caminho dele, erguendo a perna direita e fazendo uma alavanca, que lançou o cientista em direção à porta com violência, fazendo-o colidir com a parede e perder a consciência.

O soldado ao lado do doutor tentou erguer a arma, mas não conseguir mirar a tempo. Leila desviou o cano da arma para o alto com um arco do braço esquerdo e entoou:

- Wind Needle.

E então mergulhou os dedos em riste em direção ao pomo de adão do soldado, que gorgolejou e caiu morto para frente, com sangue saindo de sua boca e garganta que Leila tinha perfurado. Seus dedos voltaram sujos de sangue, mas ela não se deteve. Partiu para cima do soldado próximo à porta, que mirou nela, enquanto seus colegas miravam em Cedok e Viliska, numa tentativa de pará-la. Leila continuou avançando e todos dispararam. Cedok e Viliska esperaram pelas balas.

Que não vieram. Os projéteis tinham parado no ar, diante deles e de Leila e caído no chão inofensivamente. A menina enfim alcançou o soldado estupefato que atirara nela e erguendo os braços em um movimento em forma de "X" com os dedos em riste, ela entoou:

- Shatter Storm.

O corpo do soldado foi partido em pedaços. Seus braços caíram ao lado do corpo, e a parte superior se separou da inferior, enquanto ele tombava estrebuchando, espirrando seu sangue na menina, cobrindo-a de vermelho. Leila correu em direção a Viliska, cortando o tampo da cabeça do soldado que a rendia. O cérebro do homem espirrou na parede, enquanto ele caía inútil no chão. O último deles tentou correr até a porta e alertar os demais. Leila o alcançou e os soldados de fora viram o companheiro ser atravessado pelo braço de Leila em seu peito. O homem ofegou, sendo partido no tórax e tombando.

Os outros soldados tentaram erguer suas armas, mas foi tarde. Leila estreitou os olhos e eles começaram a sufocar, colocando a mão na garganta e peito. Leila manteve o que quer que estivesse fazendo até que os quatro caíssem mortos no chão. E então, foi até lá fora e recolheu os corpos, trazendo-os para dentro.

Ela suspirou, ao término da tarefa. A cabeça pesou novamente com o esforço, fazendo-a praguejar baixinho. Cedok e Viliska estavam paralisados. Leila tentou sorrir para acalmá-los, mas desistiu da ideia ao ver a cara de pavor do casal. Então, simplesmente disse, desfazendo o sorriso e adotando uma expressão tranquila:

- Desculpe pela bagunça. Eu limpo tudo.

Viliska gaguejou alguma coisa ininteligível, similar ao som de um grasnado de ganso. Cedok suspirou tentando conter o pânico e perguntou:

- C-como... C-como...

- Como eu fiz isto? - Se adiantou Leila, já com a expressão normal enquanto tirava as fardas dos soldados e as verificava, separando partes das mesmas. - Com lâminas feitas de ar comprimido e barreiras psíquicas, ou campos de força se preferirem. Isto é, telecinese aplicada sobre o ar e fortalecida com energia cósmica. Vocês não entenderiam como funciona na prática, mas já viram o que é capaz de fazer.

Cedok e Viliska olharam a sua volta para a casa, mas notaram que ela estava apenas suja pelo sangue, sem nenhum dano ou bala perdida. Viliska engoliu um soluço e Cedok levantou tremendo para ampará-la. Leila deixou-os se recomporem e terminou de examinar as fardas. Escolheu o menor coturno, e as vestes mais inteiras. Depois foi até a área de serviço e buscou produtos de limpeza, que deixou na sala.

Em questão de segundos, levou os corpos para o triturador de lixo e os esfacelou em pedaços, botando fogo nos restos e os juntando em um saco de lixo, do qual se livrou junto com papéis queimados que usara para atear fogo aos restos além de um pouco de álcool e se desculpou com Viliska por queimar a blusa que usava juntamente com os papéis. Enquanto os corpos queimavam e eram reduzidos à cinzas, Leila deixou a farda que tinha escolhido ao lado das cinzas fumegantes, destruiu as armas com as próprias mãos, limpou as evidências de sangue da sala e amarrou o cientista, colocando-o sentado no sofá, depois de verificar sua pasta, se estava armado e se tinha alguma pílula na boca para se matar emergencialmente.

Tudo isto em menos de meia hora.

O casal assistia a tudo aterrorizado. Estavam diante de uma assassina profissional, alguém com habilidades nunca vistas antes. Cedok tentava tranquilizar Viliska, que chorava baixinho. Leila se curvou diante do cientista e lhe deu um forte tapa no rosto:

- Acorde.

O velho homem deu um gemido e se mexeu, acordando. E olhou à volta, não vendo nenhum soldado e a menina coberta de sangue. E engasgou. Leila segurou-o pela gola do casaco e o trouxe para perto dela. Seus olhos não eram mais doces. Sua pele não era mais branca e agradável. Ele parecia estar sendo puxado em direção ao inferno por um demônio. Ele tentou gritar, mas a voz não saía. Parecia que algo tinha tampado sua boca.

A assassina Undertaker então disse:

- Você vai voltar para o ponto de inserção da expedição e levantar acampamento. Invente qualquer desculpa para o fenômeno que presenciou e suma daqui. Se você não sair até o fim desta tarde, eu vou saber. E vou subir aquelas montanhas. E matar você e todos os do acampamento. Você tem uma chance. Aproveite-a bem.

Leila estreitou os olhos e mais uma de suas lâminas de ar cortou as cordas do homem, que se viu livre e correu para fora da casa, em direção às montanhas em desespero.

Ela suspirou e se deixou cair ajoelhada. Ele ficaria orgulhoso. Muito embora com certeza não demonstraria. Ela se sentiu triste, com um aperto no coração.

Queria muito se lembrar do nome dele. Mas não podia parar agora, ainda tinha algo a consertar.

A mente daquele casal.

Leila seguiu ao banheiro, onde colocou a farda escolhida para lavar e tomou um banho quente, se livrando do sangue dos soldados. Em seguida, reconfigurou a farda para seu tamanho com um kit de costura de Viliska,
vestindo-a com dois pares de meias, uma de três quartos e outra sete oitavos, deixando o coturno confortável e justo em seus pés. Após se vestir, prendeu os cabelos e desceu para a sala, onde o casal ainda a esperava. Ela suspirou. Deveria tê-los matado. Era o que Ele, seu parceiro, faria. Mas ela não podia fazê-lo, não por covardia, mas por gratidão. Afinal, eles tinham salvado sua vida e mereciam no mínimo explicações.

Mas ela mesma estava impressionada. Não lembrava de ser tão poderosa. Ela tinha desenvolvido poderes psiônicos e controlava o ar, habilidades que combinavam perfeitamente, era verdade, mas nunca tinha se movido tão rápido nem sentido sua energia fluir tão facilmente. Não era comum aquilo.

Talvez o tiro na cabeça tivesse soltado alguma trava, ela não sabia dizer. Suspirou mais uma vez e desceu as escadas, pronta para o pior.

Acampamento nas Montanhas próximas a Yakutsk, Sibéria.

Volker Hollstein estava apavorado. O que diabos tinha acontecido? Em um segundo, estava prestes a retirar a amostra de sangue da garota. No outro estava amarrado no sofá, sendo ameaçado pela menina coberta pelo sangue dos soldados, que tinham sumido.

Ele não era um homem religioso, mas estava começando a acreditar em algo superior.

Sem demora, deu ordem para seu grupo arrumar o equipamento e levantar acampamento. Estava preocupado e não duvidava da ameaça da menina, mas agora tinha certeza de que ela estava envolvida no evento. Um evento que ele ainda não entendia.

Foi quando um barulho se destacou no horizonte, como um motor e uma forte ventania começou a soprar naquela região. Ao olhar para o céu, Volker Hollstein e sua equipe viram um helicóptero descendo e aportando no platô. Hollstein prendeu o fôlego quando a porta corrediça do veículo se abriu, ainda com suas hélices parando de rodar. Os soldados olhavam inquisitivos à equipe de cientistas, mas especificamente ao seu líder, que parecia preocupado com o que estava por vir.
As portas do helicóptero se abriram e por elas desceram quatro jovens de postura despojada e começaram a caminhar em direção ao evento, aos corpos congelados como se fossem os donos daquele local.

A frente deles ia um rapaz com por volta de 16 anos de idade, com a expressão séria e focada. Ele tinha os cabelos ruivos, cortados curtos em um corte espetado. Seus olhos, grandes e expressivos, eram verdes como vitrais de catedral e davam a impressão de emanar o mesmo brilho. Do lado esquerdo do rosto, por cima da pele clara, ele tinha a tatuagem de um ouroboros, isto é, uma serpente mordendo a própria cauda. Usava um casaco longo, com pelos brancos ao redor do pescoço e dos punhos e por baixo do casaco era possível ver um pulôver vermelho. Nas mãos, o garoto calçava luvas sem dedos e os próprios dedos eram adornados por diversos anéis. Calças longas e negras, com um par de botas para neve também negras terminavam a indumentária, apesar do rapaz usar diversos cintos com rebites na cintura e usar os mesmos rebites nas botas de neve.

Junto do garoto de cabelos ruivos, desceu ao seu lado um rapaz mais alto, este aparentando por volta dos vinte anos. Este tinha os cabelos louros que tocavam seus ombros, com uma mecha caída sobre um de seus olhos, estes finos, penetrantes e de um azul vívido. Sua pele era branca e parecia imaculada. Assim como o garoto ruivo, ele usava um casaco longo com pêlos, mas por baixo estava vestido com roupas sociais, trajando uma camisa cinza com os dois primeiros botões abertos e uma calça social escura. Seu pescoço era adornado por uma gravata negra frouxa e ele usava delicadas luvas brancas.

Logo após, um terceiro rapaz se juntou aos dois primeiros. Ele parecia ter uma idade próxima à do louro, mas suas semelhanças terminavam aí. Ele tinha os cabelos longos e negros, alcançando o meio das costas, com duas finas mechas adornando seu rosto lateralmente. Seus olhos, também negros e frios, quase como poços sem fundo, examinavam o evento desinteressadamente. Sua pele morena cor de caramelo contrastava com a região fria na qual estava, mas as roupas pareciam combinar. Juntamente com o modelo de casaco que os outros dois também usavam somente apoiado nos ombros e não vestido, o rapaz trajava um fraque de gala negro, uma gravata fina e longa da mesma tonalidade e uma camisa branca praticamente brilhando de tão limpa. Era o único que não usava botas. Ele calçava sapatos sociais bem lustrados que esmagavam a neve conforme ele caminhava. E com um ar solene, ele se virou para trás e estendeu a mão, para auxiliar alguém a descer.

Uma mão delicada e enluvada segurou a do rapaz moreno, e uma garota desceu do helicóptero junto com as hélices que finalmente cessaram seu movimento. Dos quatro, ela parecia ser aquela mais frágil e enigmática. Tinha a mesma pouca idade do garoto ruivo, aparentemente, mas seus cabelos eram longos, ondulados e sedosos, em um exótico tom esverdeado. Seus olhos azuis, ao contrário dos do rapaz louro, eram pétreos, congelados em um semblante estóico que era adornado por uma pele clara e alva, deixando entrever as veias azuladas por baixo dela. A moça usava o casaco que todos ali usavam, mas por baixo tinha um vestido violeta de babados, com alguns detalhes em vermelho e preto e um grande laço no tórax, entre os diminutos seios dela. Botas longas até o joelho com plataformas adornavam as pernas da moça, que completava a indumentária com meias escuras para proteger as pernas do frio.

Os quatro aportaram e simplesmente caminharam em direção ao centro do evento, alheios ao grupo de pesquisadores e aos soldados ali presentes. Iam em silêncio, mas com ar displicente como se fossem um grupo estudantil visitando um museu de história natural.

Volker Hollstein pressentiu o perigo e querendo ver o desdobramento daquilo, correu para se abrigar no casebre de madeira. Chegou até a velha casa de madeira e se voltou para observar e aguardou.

Aguardou até um dos militares cometer um erro.

- Ei vocês! Parados! - Gritou um dos militares, erguendo sua arma em direção ao rapaz louro que apenas moveu a cabeça em direção ao grupo de militares. Os outros três acompanharam o olhar, enquanto o rapaz ruivo colocou a mão dentro do casaco.

Os soldados hesitaram em atirar. Era um grupo de crianças, afinal de contas. E isto foi sua ruína. O garoto ruivo tinha retirado sua mão de dentro do casaco, mas não era uma arma que sacava. Não uma convencional, pelo menos. Sua mão estava envolta por uma manopla vermelha estilizada, muito maior que o punho do garoto. A manopla repleta de adornos dourados e arabescos turquesa, em formas pictográficas, legítimas inscrições astecas. Mas isto apareceu mais claramente quando a manopla brilhou lançando uma imensa esfera de fogo em direção aos guardas. Os que foram colhidos pelo fogo apenas tentaram se proteger, e a esfera passou por eles, indo colidir nos paredões de pedra da região. Porém, quando a esfera deixou o ponto onde estavam os soldados, só havia cinzas e carvão no local. Os pesquisadores esboçavam uma reação, tentando correr, mas foram engolfados por outra esfera de fogo, tendo o mesmo fim. O rapaz ruivo suspirou e soltou um riso de escárnio pelo nariz, bazofiando:

- Eles são idiotas de achar que simples armas parariam a gente!

- Kaminashi... - A garota de cabelos verdes de olhar estóico repreendeu-o em uma voz fria e sem emoções, enquanto caminhava ao centro do círculo de cadáveres congelados. - Sua emanação energética vai atrapalhar na localização da outra graça. Não podia ser um pouco mais discreto?

- Hunf, Jibrille. Até parece que seu Espelho vai ter dificuldades para achar qualquer coisa. Não estou certo, Kamino? - Disse resmungando o garoto ruivo, Kaminashi, ao rapaz louro, que sorriu com o questionamento.

- A graça de Jibrille, o Espelho de Tezcatlipoca localiza fontes energéticas, suponho que seja complicado vizualizar o que quer que seja com você fazendo tanto estardalhaço, Kaminashi-kun. - Disse divertidamente o rapaz louro, Kamino enquanto ajudava a menina, Jibrille, a abrir uma mochila e retirar dela uma espécie de espelho em forma de disco, métalico e reluzente com detalhes em verde e vermelho, além das mesmas escritas astecas que a manopla de Kaminashi.

- Calados vocês três. - O rapaz moreno os interrompeu com uma voz profunda e prosseguiu. - Ainda restou alguém aqui.

- E como você sabe, Hikarideari? - Desafiou Kaminashi.

- Ele tem razão. - Atalhou Jibrille sem erguer os olhos do Espelho, que agora estava em seu colo. - Tem um humano idoso naquela cabana ali. - E sem se virar para a direção ergueu o indicador apontando.

O Dr. Hollstein engoliu em seco e paralisou, quando as cabeças dos rapazes viraram em sua direção. Hikarideari caminhou em direção à casa e simplesmente arrancou Hollstein de lá com um violento safanão. O doutor implorou pela própria vida e foi conduzido até o centro do círculo, onde se viu cercado pelos três jovens. A quarta integrante, Jibrille continuava absorta analisando o espelho e por isto não se juntou a eles. Kamino deu um sorriso cínico e olhou para o cientista no chão.

- Então você correu da gente quando chegamos? Prudente da sua parte... - Disse ele, cutucando o velho com a ponta do pé.

- P-por favor... Eu f-faço q-qual-q-quer c-coisa, mas não me matem. - Balbuciou o Dr. Hollstein, subitamente iluminado por uma ideia. - E-eu sei onde e-está a g-garota!

- Hã? - O rosto de Kamino ficou confuso. - Que garota?

- A que estava aqui quando este evento começou! Me poupem e eu conto tudo! - Disse rapidamente Hollstein, aliviado com a chance de sobrevivência.

Jibrille então se levantou e por meio de correias, prendeu o Espelho no braço, como um broquel. Ela cutucou o ombro de Kamino e disse:

- Vamos levá-lo para o helicóptero e conversar. Parece que ele sabe alguma coisa que vai abreviar a busca.


Kamino, Kaminashi e Hidekideari concordaram com a cabeça e começaram a conduzir o velho até o helicóptero de onde vieram. O medo deu lugar à esperança no coração de Hollstein. Iria descobrir mais sobre aquela menina. E talvez com a ajuda daqueles garotos, ele até pudesse estudá-la.


Cidade de Yakutsk, Sibéria.

Leila suspirou. Cedok e Viliska a olhavam com medo e se abraçavam apavorados. Era engraçado ver um homem tão grande encolhido de medo aos olhos de Leila. Mas, Leila não tinha tempo para rir. Ela devia explicações.
- Bem, primeiramente peço desculpas para envolvê-los nisso. Eu quis ir embora assim que acordei, porque temia pelo pior. Mas fico satisfeita que vocês estão bem.

Eu sou uma Undertaker. O que significa que, oficialmente, eu não existo. Somos pegos ainda crianças e apagados de qualquer banco de dados existentes. Cada um de nós recebe um treinamento específico. Eu, no caso, fui treinada para lidar com missões a nível global de qualquer natureza e e me infiltrar em qualquer lugar. Para tanto, tenho uma série de conhecimentos específicos, como tocar piano, por exemplo. Além disso, domino uma forma de energia rara, que me permite fazer aquelas coisas que viram. Foram anos de treinamento para dominar esta forma de energia e temo que ainda assim, eu não seja uma das mais poderosas entre meus pares. Meu parceiro, do qual me perdi foi quem causou aquele evento no qual vocês me encontraram.

- E o que você vai fazer agora? - Perguntou Viliska, depois de um curto período de silêncio.

Leila suspirou. Ela não sabia a resposta para aquela pergunta, mas percebeu que o casal estava aceitando bem a situação, apesar de tudo. Mas organizando os pensamentos, ela se lembrou do que queria fazer: Ela queria encontrá-lo. Achar seu parceiro e dizer que estava tudo bem, que também o amava, abraçá-lo, sentir seu toque quente de novo. Então, concentrou-se e disse:

- Vou procurar pelo meu parceiro. Suponho que ele pense que eu esteja morta depois do que aconteceu.

- E o que aconteceu, de fato, Leila? - Perguntou Cedok, desta vez.

- Eu fui baleada na cabeça. - Disse a menina naturalmente, apontando para o ferimento que tinha na lateral do crânio, já com um novo curativo. - Mas como tenho telecinese, ou seja, a capacidade de movimentar, manipular ou abalar sistemas físicos sem interação física, apenas usando a mente, eu a usei para criar um campo de força em torno da minha cabeça para minimizar o impacto do projétil. Foi o bastante para não me matar, mas o impacto me deixou inconsciente por mais de um mês, a contar com o tempo que estou aqui.

Ela fez uma pausa para respirar, e Cedok e Viliska começaram a se soltar. Cedok olhou para a mulher e depois, para Leila.

- Você pretende nos silenciar, Leila?

- Não vou mentir. Isto é o que fui treinada para fazer. - A menina respondeu com uma expressão séria, mas logo a mesma relaxou e ficou plácida. - Mas vocês me acolheram e cuidaram de mim. Não posso simplesmente ignorar isto. - Ela coçou o pescoço, incomodada por ter cogitado a possibilidade de executar o casal. - Então, se prometerem guardar segredo da minha estadia aqui, eu não vou machucar vocês.

Ela sabia que aquilo era um erro, mas algo nela simplesmente se recusava a eliminar o casal. Eram os pais que não tivera. Mesmo antes do ataque à Selfoss que aproximara ela e seu parceiro, Leila era órfã e vivia em um orfanato, por isso o casal era um ponto fraco para ela.

Leila suspirou mais uma vez e aguardou a resposta de Cedok e de Viliska. Que não demorou a vir por parte de Cedok:

- Ouça Leila. Quando nós resgatamos você, não estávamos pensando em nada a não ser cuidar de você. E não mudamos de ideia. Ainda queremos cuidar de você, embora você não precise de cuidados.

Viliska fez uma assertiva muda e sorriu, enquanto Leila suspirava aliviada. Ela poderia descansar antes de partir atrás de seu parceiro e ensaiar o que era uma vida normal.

Ou talvez não.

Leila sentiu algo se aproximando. Algo que ela sabia ser maligno. Uma energia nefasta que se aproximava. Ela fechou sua expressão novamente e se erguendo rapidamente, sem maiores explicações, ela saiu para averiguar o que estava se aproximando.

Descendo de um helicóptero aterrissado a alguns metros da casa, ela viu o quinteto formado pelos jovens e por Hollstein. Leila praguejou, enquanto Jibrille apontava para ela e confirmava com a cabeça estoicamente.

Kamino se adiantou. Ele agora calçava botas douradas, com as mesmas inscrições astecas que a manopla de Kaminashi e o Espelho de Jibrille. Ele veio caminhando confiante e sorriu, dizendo:

- Olá mocinha. Eu sou Iyashi Kamino. E quero propor um acordo: Nos entregue sua Graça e ninguém se machuca. Se negue e nós, o Perennial Winter irá tomar de você.

Leila fez um muxoxo e suspirou pesadamente pelo nariz. Teria que lutar de novo. Então, respondeu:

- Eu não sei que Graça é essa que você está falando. Então vá embora.

Kamino sorriu e disse:

- Então, vamos tomar à força!

Ele golpeou o solo com seus pés e uma grande lufada de vento se ergueu, colhendo Leila de surpresa e a lançando para trás. Ela colidiu com a parede da casa e cambaleou para frente, apenas para Kamino se deslocar em um borrão e detê-la na parede com o pé em seu pescoço.

E sorrindo mais uma vez, disse:

- Que tal entregar a graça agora?
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